TT Burger quer faturar R$ 100 milhões após transformar delivery em motor do negócio
Rede carioca TT Burger projeta faturamento de R$ 100 milhões em 2026, impulsionada pelo delivery, por franquias e por marcas digitais criadas a partir da mesma cozinha.
A rede carioca TT Burger projeta faturar R$ 100 milhões em 2026, valor 30% maior que o registrado no ano anterior. Criada no Arpoador, em 2013, a marca passou por uma mudança importante nos últimos anos e colocou o delivery no centro da operação. Hoje, o canal responde por 70% das vendas totais.
A empresa opera 20 unidades, soma quase 60 contratos de franquia assinados e aposta em tecnologia própria para crescer sem perder produtividade. O modelo combina lojas físicas, marcas digitais e uma cozinha preparada para atender diferentes cardápios ao mesmo tempo.
Do Arpoador para uma operação multimarcas
O TT Burger foi fundado por Thomas Troisgros e André Meisler dentro de uma antiga loja da Reserva, no Rio de Janeiro. A proposta era criar um hambúrguer com identidade brasileira, com pão de batata-doce, picles de chuchu e ketchup de goiabada.
No primeiro dia, a meta era vender 100 hambúrgueres. A loja vendeu 800. A operação não estava preparada para a demanda e ficou sem insumos.
O sucesso ajudou a transformar o produto em referência no Rio, mas o modelo ainda tinha limites para crescer. O ticket médio mais alto e a força da experiência presencial dificultavam a expansão. Até 2019, os sócios evitavam delivery e franquias por medo de perder controle sobre a qualidade.
Pandemia acelerou mudança no negócio.
Antes de 2020, o delivery representava menos de 5% das vendas do grupo. Com os restaurantes fechados durante a pandemia, a rede passou a criar marcas digitais usando a mesma cozinha, os mesmos insumos e a mesma equipe.
“Passamos anos dizendo que nunca teríamos delivery e nunca faríamos franquia porque isso significava perder qualidade. A pandemia obrigou a gente a rever tudo”, afirmou André Meisler.
A primeira marca digital foi a Três Gordos, voltada para smash burgers. Depois vieram Tom Ticken, de frango, e Marola, de pescados. Hoje, um mesmo franqueado pode operar até quatro marcas na mesma cozinha.
“Quando a gente viu que conseguia vender cinco vezes mais sem aumentar estrutura, entendemos que existia um modelo novo ali”, disse André Meisler.
Tecnologia própria virou peça central
Desde 2016, o TT Burger mantém uma equipe própria de desenvolvimento de sistemas. A ideia era resolver problemas da operação que as soluções prontas do mercado não atendiam.
A plataforma criada internamente organiza pedidos e fluxos de cozinha em tempo real. Com isso, diferentes marcas conseguem operar em paralelo sem conflito na preparação dos produtos.
Esse sistema é uma das bases do modelo multimarcas em franquias. A rede busca aumentar o faturamento por metro quadrado, uma métrica importante no setor de alimentação. Na prática, a empresa tenta gerar mais receita usando a mesma estrutura física.
Para investidores e franqueados, o discurso é direto: uma cozinha, mais marcas e mais canais de venda.
Delivery segue como motor de expansão
O crescimento do TT Burger ocorre em um momento favorável para o food service. Relatórios do setor apontam avanço de 2,5% para o segmento em 2025, com delivery e retirada puxando parte da expansão em categorias como hambúrguer.
Mesmo com o avanço das marcas digitais, o TT Burger original ainda responde por 60% a 70% do faturamento do grupo. As demais marcas completam a receita.
A expansão por franquias deve seguir como principal caminho para a rede atingir a meta de R$ 100 milhões em 2026. Para o mercado de negócios, a trajetória do grupo mostra como uma marca nascida de forma artesanal no Rio mudou sua operação ao combinar delivery, tecnologia e gestão de cozinha multimarcas.
As informações são do Space Money